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Educação sob Pressão Climática: Desafios e Possíveis Caminhos para o Futuro

  • Foto do escritor: Prof. Ms. Josiel Medeiros
    Prof. Ms. Josiel Medeiros
  • 13 de fev. de 2025
  • 2 min de leitura

A onda de calor que recentemente assolou o Rio Grande do Sul e forçou o adiamento do início do ano letivo em parte da rede pública evidenciou o quão vulneráveis podem ser as estruturas escolares diante dos efeitos das mudanças climáticas. Com temperaturas ultrapassando os 43°C, tornou-se inviável manter o calendário previsto, já que as salas de aula não estavam preparadas para receber estudantes em condições tão adversas. Esse episódio, antes visto como algo excepcional, hoje sinaliza uma nova realidade, em que eventos extremos deixam de ser raros e passam a se repetir com maior frequência e intensidade.



De acordo com um relatório do Unicef, mais de 1 milhão de crianças brasileiras tiveram seus estudos interrompidos em 2024 por conta de episódios climáticos severos, como enchentes, secas ou ondas de calor. O documento ainda destaca que, ao redor do mundo, cerca de 242 milhões de estudantes de 85 países foram afetados pela crise do clima no último ano, considerado o mais quente da história. Esses números deixam claro que a relação entre clima e educação não pode mais ser ignorada e que as consequências ultrapassam os muros escolares, atingindo diretamente as comunidades onde esses estudantes vivem.


Crianças e adolescentes em situação de maior vulnerabilidade socioeconômica costumam sentir com mais força os efeitos do clima extremo. Sem estrutura adequada em casa e na escola, eles enfrentam problemas que vão desde a falta de água potável até a ausência de espaços minimamente confortáveis para estudar. Quando enchentes e temporais atingem cidades e bairros sem saneamento ou drenagem pluvial eficientes, por exemplo, a probabilidade de contaminação e doenças cresce, interrompendo ainda mais a rotina escolar.



Para agravar esse cenário, uma pesquisa do Equidade Info, iniciativa da Universidade de Stanford em parceria com a Fundação Itaú, revelou que 77% das escolas brasileiras não têm um plano de contingência em casos de desastres naturais. Além disso, o mesmo estudo mostra que 7 em cada 10 professores não seguem um currículo específico sobre mudanças climáticas e sustentabilidade. Isso demonstra não apenas a falta de preparo para lidar com eventos extremos, mas também a ausência de uma abordagem didática que ajude os estudantes a compreender o problema e a buscar soluções.



Nesse sentido, algumas medidas podem ser adotadas pelas escolas para enfrentar o desafio climático. Investir em infraestrutura resiliente, com ventilação adequada, espaços sombreados e sistemas de climatização eficiente, é um primeiro passo. Também é importante criar planos de emergência para situações de risco, envolvendo treinamentos com alunos e equipes pedagógicas, bem como reforçar a comunicação com pais e responsáveis. Paralelamente, a formação continuada de professores e a inserção de conteúdo sobre mudanças climáticas nos currículos podem contribuir para um aprendizado mais crítico e consciente.


Por fim, o debate conduzido por Julia Duailibi com Mônica Dias Pinto, chefe de educação do Unicef no Brasil, deixa claro que as soluções para a crise climática na educação passam pela articulação entre diferentes atores: governo, instituições de ensino, organizações internacionais e comunidade. O envolvimento dos estudantes nesse processo também é fundamental, já que eles serão os adultos que vão lidar com as consequências cada vez mais presentes do aquecimento global. Nesse panorama, a educação ganha ainda mais relevância, tornando-se não apenas espaço de formação acadêmica, mas também de conscientização e ação frente a um dos maiores desafios da atualidade.

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