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Natal em foco: estudo da UFRN revela desigualdade climática na região metropolitana

  • Foto do escritor: Prof. Ms. Josiel Medeiros
    Prof. Ms. Josiel Medeiros
  • 13 de fev. de 2025
  • 3 min de leitura

A cidade de Natal e sua região metropolitana podem enfrentar problemas distintos em decorrência das mudanças climáticas, apontam pesquisas realizadas pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O aquecimento global, impulsionado pela emissão excessiva de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono, está no cerne da discussão em torno dos impactos ambientais e sociais que podem afetar as áreas urbanas. Nesse contexto, o projeto “Justiça Climática no Contexto Urbano da Região Metropolitana de Natal” busca relacionar as variações de temperatura e umidade do ar com fatores de vulnerabilidade social, evidenciando desigualdades no acesso a condições ambientais adequadas.

Sob a coordenação do professor Francisco Castelhano, do Departamento de Geografia (DGE/UFRN), o estudo visa debater como alguns grupos populacionais sofrem mais intensamente com as consequências do aquecimento global. O conceito de justiça climática, segundo o docente, traz à tona a percepção de que populações menos privilegiadas estão mais expostas a fatores como a falta de arborização, vias estreitas e ausência de parques, o que colabora para a formação de ilhas de calor e a piora do conforto térmico. Essas questões se revelam urgentes em uma cidade que cresceu de forma não planejada, apresentando disparidades entre bairros ricos e territórios com desigualdade social mais latente.

Para conduzir a análise, a equipe utiliza a metodologia das Zonas Climáticas Locais (Local Climate Zones), fundamental para identificar e mapear onde a temperatura tende a ser mais elevada e como isso se relaciona com os arranjos urbanos. O processo inclui a coleta de dados como temperatura, umidade relativa do ar e parâmetros de conforto térmico em diferentes pontos da região metropolitana de Natal. Dessa forma, torna-se possível contrastar a realidade de locais com infraestrutura mais desenvolvida à de áreas carentes de planejamento e investimentos em saneamento ou áreas verdes.

Atualmente, 14 termômetros foram instalados em pontos estratégicos, abrangendo o município de Extremoz, o Distrito Industrial de Macaíba e regiões de Natal como o Bosque dos Namorados, a Via Costeira, a Avenida Roberto Freire e a Vila de Ponta Negra. Esses locais foram selecionados com base em critérios de renda, raça e estrutura urbana, e o monitoramento deve durar cerca de 12 meses. Após essa primeira fase, os dados coletados serão processados por algoritmos de aprendizagem de máquina, que vão indicar padrões de estresse térmico e a sua possível correlação com fatores socioeconômicos.

O projeto conta com a participação de oito estudantes de graduação e pós-graduação, além de seis professores vinculados tanto à UFRN quanto a outras instituições, como a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e a Universidade de Lisboa (ULisboa/Portugal). O objetivo é propor reflexões sobre justiça climática, buscando soluções inclusivas para lidar com os efeitos das mudanças ambientais. Para isso, o grupo espera que os resultados contribuam com políticas públicas que priorizem o equilíbrio urbano, oferecendo melhores condições de vida às populações mais vulneráveis.

Inserido no cenário global, o estudo dialoga com discussões que serão aprofundadas na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em 2025. O evento acontecerá em Belém, no Pará, pela primeira vez no Brasil, reunindo lideranças mundiais, cientistas e ativistas para o debate sobre redução de emissões de carbono e transição ecológica. Pesquisas como a da UFRN, ao evidenciar como a desigualdade urbana intensifica os impactos climáticos, tornam-se parte essencial dessa agenda global voltada para a preservação do planeta e o bem-estar de suas populações.

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