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Onda de calor histórica na Antártida desafia expectativas climáticas

  • Foto do escritor: Prof. Ms. Josiel Medeiros
    Prof. Ms. Josiel Medeiros
  • 28 de fev. de 2025
  • 2 min de leitura

A Antártida, conhecida como a região mais fria do planeta, registrou um aumento de temperaturas sem precedentes durante o inverno de 2024, com valores até 10 °C acima do normal. Este fenômeno, que atingiu principalmente a Antártida Oriental, viu temperaturas tipicamente variando entre -50 °C e -60 °C subirem para cerca de -25 °C a -30 °C. Embora ainda abaixo de zero, esses valores são um marco alarmante para um continente onde as condições extremas de frio desempenham um papel crucial no equilíbrio climático global.


O impacto potencial do aumento de temperaturas na Antártida é profundo. O continente abriga a maior reserva de gelo do planeta, que, se derretida, poderia elevar o nível médio do mar em mais de 45 metros. Formações menores, como a Geleira do Juízo Final, também apresentam riscos significativos: seu derretimento completo seria suficiente para elevar os oceanos em mais de três metros, uma mudança catastrófica para comunidades costeiras ao redor do mundo. Assim, as temperaturas mais amenas registradas nesta onda de calor colocam em foco a vulnerabilidade crescente da Antártida às mudanças climáticas e ao impacto humano.

Os cientistas ainda estão investigando as causas e implicações desta onda de calor sem precedentes. Segundo David Mikolajczyk, meteorologista da Universidade de Wisconsin-Madison, o derretimento acelerado do gelo antártico pode afetar as correntes oceânicas globais, sistemas que desempenham um papel essencial na manutenção de um clima estável e habitável no planeta. Além disso, a recorrência de eventos de calor extremo como este poderia enfraquecer ainda mais o continente para a próxima estação de verão, aumentando a probabilidade de maiores derretimentos nos anos seguintes.


Thomas Bracegirdle, do British Antarctic Survey, descreveu as temperaturas recordes como um sinal claro do que pode estar por vir. Embora eventos extremos como este sejam tradicionalmente raros na Antártida, a mudança climática parece estar aumentando sua frequência. Bracegirdle ressalta que mais estudos são necessários para entender plenamente a conexão entre esse evento específico e o aquecimento global, mas ele reforça a expectativa de que extremos climáticos se tornem cada vez mais comuns.


Este evento também ecoa a onda de calor antártica de 2022, quando temperaturas em algumas áreas subiram 21 °C acima da média. Enquanto o aquecimento atual não atingiu os picos de 2022, ele foi muito mais abrangente e prolongado, apontou Ted Scambos, glaciologista da Universidade do Colorado em Boulder. Segundo ele, diferenças na atmosfera desta vez ampliaram o alcance e a persistência do calor, sugerindo que as condições climáticas estão mudando de maneiras que ainda não compreendemos completamente.


Em última análise, essa onda de calor na Antártida serve como mais um alerta do impacto do aquecimento global e da urgência de ações climáticas eficazes. As temperaturas recordes no continente mais frio do mundo reforçam a necessidade de intensificar a pesquisa e as iniciativas de mitigação, antes que eventos como esse se tornem o novo normal em um planeta em rápida transformação.

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