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Terremotos de Gelo: O Mistério Sísmico Escondido Sob a Groenlândia

  • Foto do escritor: Prof. Ms. Josiel Medeiros
    Prof. Ms. Josiel Medeiros
  • 15 de fev. de 2025
  • 2 min de leitura

Nas profundezas do manto congelado da Groenlândia, cientistas registraram pela primeira vez um fenômeno surpreendente: os chamados “terremotos de gelo”. Esses tremores, semelhantes aos terremotos terrestres, ocorrem quando grandes massas congeladas se fraturam e colidem, desencadeando uma reação em cadeia. A descoberta pode revolucionar o entendimento sobre o comportamento das correntes de gelo, fornecendo novos dados para aprimorar os modelos climáticos e prever os impactos do derretimento das geleiras.

A equipe de pesquisadores utilizou um cabo de fibra óptica inserido em um poço de 2,7 quilômetros de profundidade na Corrente de Gelo do Nordeste da Groenlândia, a maior do país e responsável por transportar grandes volumes de gelo até o Oceano Atlântico. O estudo revelou que uma camada de partículas vulcânicas, depositadas há cerca de 7.700 anos por uma erupção do Monte Mazama, nos Estados Unidos, impedia que esses tremores fossem detectados até agora. Além de barrar as ondas sísmicas, essas impurezas podem desempenhar um papel crucial na formação dos terremotos de gelo.


Segundo Andreas Fichtner, professor de geofísica no Instituto Federal Suíço de Tecnologia (ETH) em Zurique e autor principal do estudo, as impurezas podem desestabilizar o gelo, levando à criação de fissuras que desencadeiam uma série de tremores interconectados. Esse efeito dominó pode influenciar diretamente o fluxo das correntes geladas, tornando-as menos previsíveis do que se imaginava. O impacto desse fenômeno no deslocamento do gelo é significativo, podendo acelerar ou alterar sua trajetória rumo ao oceano.


Até então, os cientistas acreditavam que o gelo fluía lentamente pelos rios congelados, de maneira semelhante ao mel espesso. No entanto, essa nova evidência sugere que as correntes de gelo podem se movimentar de forma mais brusca e imprevisível. Isso coloca em xeque as antigas suposições sobre a estabilidade dessas estruturas e reforça a necessidade de reavaliar os modelos climáticos que preveem o impacto do aquecimento global.

A Groenlândia abriga o maior manto de gelo do Hemisfério Norte, cobrindo 80% de sua superfície. Desde os anos 1990, o derretimento dessas geleiras já contribuiu para o aumento de um centímetro no nível do mar, e estima-se que, se todo o gelo da região derreter, esse nível pode subir até sete metros. A descoberta dos terremotos de gelo se torna, portanto, um avanço fundamental para entender a dinâmica dessas massas congeladas e seu impacto no futuro do planeta.


Os cientistas agora se dedicam a estudar a frequência e a intensidade desses tremores para determinar seu papel na evolução do manto de gelo. Segundo Olaf Eisen, coautor do estudo e professor de glaciologia no Instituto Alfred Wegener, na Alemanha, esse é um passo essencial para refinar as previsões sobre o derretimento polar e suas consequências globais. O monitoramento contínuo desse fenômeno pode fornecer respostas cruciais sobre o destino das geleiras e os riscos iminentes das mudanças climáticas.

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