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A Reconfiguração Geopolítica: Trump, Putin e o Futuro da Europa

  • Foto do escritor: Prof. Ms. Josiel Medeiros
    Prof. Ms. Josiel Medeiros
  • 18 de fev. de 2025
  • 3 min de leitura

A ascensão de Donald Trump e sua possível volta à presidência dos Estados Unidos reacendem debates sobre o papel da América na segurança europeia e a dinâmica de poder global. Com uma postura abertamente nacionalista e transacional, Trump tem repetidamente questionado a estrutura da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), exigindo que os países europeus assumam maiores responsabilidades financeiras e militares. Essa mudança de perspectiva coloca em xeque o tradicional compromisso dos EUA com a segurança do continente, criando incertezas sobre a estabilidade da aliança transatlântica. Paralelamente, a Rússia de Vladimir Putin continua a expandir sua influência, aproveitando-se da fragilidade política e da divisão interna do Ocidente.

O cenário geopolítico europeu já havia se tornado tenso desde a anexação da Crimeia em 2014, intensificando-se com a invasão da Ucrânia em 2022. No entanto, a possível reeleição de Trump pode mudar completamente a abordagem ocidental em relação ao conflito, com a diminuição do apoio militar e financeiro dos EUA a Kiev. Isso significaria um revés para a Ucrânia, que, apesar do respaldo da União Europeia, ainda depende fortemente da assistência americana para sustentar sua resistência. As recentes declarações do governo Trump, sugerindo que um acordo de paz poderia ser negociado diretamente com Putin, sem a participação ativa de Volodymyr Zelensky, reforçam o temor de um abandono da Ucrânia por parte do Ocidente.


A nova doutrina de segurança americana parece priorizar a competição com a China e a defesa das fronteiras dos Estados Unidos, relegando a Europa a um papel secundário. O Secretário de Estado, Marco Rubio, e o novo chefe do Pentágono já deixaram claro que os EUA não continuarão subsidiando a segurança europeia enquanto países como Alemanha, França e Itália optam por altos gastos sociais em detrimento de investimentos na defesa. Essa visão pragmática, embora coerente do ponto de vista econômico, enfraquece a coesão da OTAN e pode abrir brechas para um avanço ainda maior da Rússia sobre territórios estratégicos do Leste Europeu.


No coração desse debate está a questão de como a Europa deve reagir. O Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, alertou que os países europeus precisarão aumentar significativamente seus investimentos em defesa se quiserem preservar a estabilidade do bloco. A ameaça de um novo desenho geopolítico, no qual os Estados Unidos deixam de ser o principal garantidor da segurança europeia, forçará líderes do continente a tomar decisões difíceis. Para muitos analistas, esse pode ser um momento decisivo para a criação de uma estratégia militar mais autônoma, reduzindo a dependência histórica dos EUA.


Além das implicações para a OTAN, há o risco de que um acordo entre Trump e Putin solidifique a divisão da Ucrânia, estabelecendo uma nova ordem semelhante à da Alemanha pós-Segunda Guerra Mundial. Uma Ucrânia fragmentada, com parte de seu território sob controle russo e o restante integrado à União Europeia, seria uma solução pragmática para os interesses americanos, mas um duro golpe para a soberania de Kiev. Esse modelo de partição também enviaria um sinal preocupante para outras ex-repúblicas soviéticas, indicando que a agressão militar ainda pode resultar em ganhos territoriais.


O impacto dessas mudanças pode ser profundo e duradouro. O projeto europeu, baseado na cooperação multilateral e na segurança coletiva, se vê diante de uma encruzilhada. Sem o suporte irrestrito dos Estados Unidos, a União Europeia terá que decidir se seguirá investindo na OTAN ou se buscará mecanismos alternativos para sua defesa. Essa possível nova ordem mundial favoreceria potências revisionistas, como a Rússia e a China, que veem na fragmentação do Ocidente uma oportunidade para ampliar suas esferas de influência.


Diante desse cenário, a incerteza reina sobre o futuro das relações transatlânticas. Se Trump levar adiante sua visão de uma política externa baseada no princípio da troca de benefícios imediatos, a Europa terá que se reinventar para lidar com os desafios de um mundo onde a hegemonia americana não é mais uma garantia. A consolidação de um novo equilíbrio de forças pode significar tanto o enfraquecimento da influência ocidental quanto a ascensão de um modelo multipolar onde as alianças tradicionais dão lugar a acordos de conveniência momentânea. O resultado final dessa transformação dependerá das respostas que os líderes europeus e americanos darão nos próximos anos.


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