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Quando a Paz Ignora a Ucrânia: Impasses nas Negociações entre EUA e Rússia

  • Foto do escritor: Prof. Ms. Josiel Medeiros
    Prof. Ms. Josiel Medeiros
  • 13 de fev. de 2025
  • 3 min de leitura

A guerra na Ucrânia ganhou novos contornos quando o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou ter conversado por telefone com Vladimir Putin. Na ocasião, foi comentado que o presidente russo teria aceitado iniciar negociações de paz, surpreendendo a opinião pública internacional. O problema é que, apesar de a conversa ter como foco o fim do conflito, nenhum representante ucraniano foi envolvido nas tratativas iniciais. Essa ausência desencadeou imediata reação do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que afirmou veementemente que nenhum acordo poderia ser firmado sem a participação de seu país.


A indignação não se restringiu a Zelensky. Lideranças europeias criticaram a abordagem unilateral dos Estados Unidos e da Rússia, ressaltando que a guerra acontece em solo europeu e, portanto, diz respeito diretamente aos países da região. O fato de a Ucrânia fazer parte do continente reforça a necessidade de envolvimento ativo da União Europeia no processo de paz. Em contrapartida, o governo russo sinalizou a possibilidade de incluir os ucranianos, mas, até aquele momento, as declarações de Putin se voltavam sobretudo para o diálogo direto com Washington.


O posicionamento dos Estados Unidos, que ao longo da história exerceram papel crucial nos conflitos europeus – como na Primeira e na Segunda Guerras Mundiais, bem como na reconstrução do continente e na criação da Otan –, agora mostrava sinais de mudança. A atitude de Trump, ao indicar que cabe principalmente aos europeus a responsabilidade de lidar com o avanço militar russo, criou uma sensação de distanciamento transatlântico. Alguns críticos interpretaram o gesto como uma espécie de “se vira aí, Europa”, revelando um contraste significativo em relação à postura histórica norte-americana de guardião do equilíbrio geopolítico no Ocidente.


A Otan, um dos pilares de defesa do Ocidente, também se vê pressionada. A declaração de Trump descartando a possibilidade de a Ucrânia ingressar na aliança militar – tema que ainda era debatido em círculos diplomáticos – gerou controvérsia. Para muitos especialistas, essa postura enfraquece a organização em um momento delicado, no qual a agressão russa exige uma resposta coesa. Ao mesmo tempo, a perspectiva de a Ucrânia abrir mão de partes de seu território para garantir a paz levanta questionamentos sobre o respeito ao direito internacional e ao princípio de soberania nacional.


Como era de se esperar, ministros da Defesa dos países que integram a Otan criticaram abertamente as concessões feitas pelos Estados Unidos. O ministro alemão as classificou como “lamentáveis” e advertiu que abrir mão de pontos cruciais antes mesmo de as negociações começarem debilita a posição coletiva frente à Rússia. Já o ministro francês alertou que qualquer tratado que enfraqueça a Ucrânia pode, na verdade, prolongar ou até mesmo ampliar o conflito no Leste Europeu. A chefe da diplomacia da União Europeia também considerou inaceitável que o futuro de um país seja decidido sem a presença de seus representantes na mesa de discussões.


Diante das críticas, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, argumentou que apenas uma nova configuração de fronteiras poderia encerrar o conflito, admitindo que nenhuma das partes estaria plenamente satisfeita. Além disso, ele reiterou que a Europa precisa aumentar seus investimentos em defesa e assumir um papel mais ativo na segurança do continente. Apesar das tensões, Hegseth expressou confiança na capacidade de Trump, considerado por ele “o melhor negociador do planeta”, para alcançar um eventual acordo de paz que satisfaça, ainda que parcialmente, os interesses de todos os envolvidos.

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