Morte de Atriz de Doramas Escancara Pressão Desumana na Coreia do Sul
- Prof. Ms. Josiel Medeiros

- 20 de fev. de 2025
- 2 min de leitura
A recente morte de uma atriz de doramas sul-coreanos trouxe à tona debates sobre a rigorosa cultura de pressão que muitas celebridades enfrentam no país. Embora o crescimento da chamada “onda coreana” (Hallyu) tenha expandido a popularidade de séries, filmes e grupos musicais para além das fronteiras asiáticas, o sucesso internacional esconde bastidores marcados por contratos exaustivos, padrões de beleza opressivos e um nível de exposição que frequentemente ultrapassa os limites pessoais. Desde cedo, muitos talentos iniciam suas carreiras em treinamento intensivo, sendo submetidos a escalas de trabalho extenuantes e a exigências estéticas quase inatingíveis.

Em paralelo, a própria sociedade sul-coreana, reconhecida por sua alta competitividade, sustenta índices preocupantes de problemas de saúde mental e uma das maiores taxas de suicídio entre países desenvolvidos. No mundo do entretenimento, essa pressão encontra reforço na atuação dos “superfãs” e dos chamados “trolls de internet”, que podem alçar ou “cancelar” completamente um artista em questão de dias, criando um ambiente tóxico repleto de cyberbullying e críticas implacáveis. A mesma rede que impulsiona a fama, portanto, pode ser palco de perseguições e comentários maliciosos que se acumulam em escalas devastadoras.
Casos passados de artistas que vieram a falecer por suicídio – como as cantoras Sulli e Goo Hara, que enfrentaram intensos ataques virtuais e julgamentos públicos – revelam o quanto a expectativa de perfeição pode agravar transtornos psicológicos, já que ainda persiste um forte estigma na busca por ajuda psiquiátrica ou psicológica. Nesse contexto, a morte dessa atriz de doramas expõe mais uma vez a necessidade de repensar a forma como o público, a mídia e as agências de entretenimento encaram a vida privada e a saúde mental de seus ídolos.
Apesar das lamentações e da comoção que episódios trágicos sempre geram, muitos especialistas temem que a influência econômica e cultural do setor acabe silenciando discussões profundas sobre contratos mais justos, políticas de apoio à saúde mental e estratégias de combate ao discurso de ódio online. Caberá ao próprio mercado de entretenimento, aliado a legislações mais firmes e a uma mudança de mentalidade no uso das redes sociais, criar condições capazes de proteger aqueles que, diante das câmeras, são tratados como superestrelas, mas, longe delas, não deixam de ser seres humanos suscetíveis às pressões e aos desequilíbrios que a fama pode trazer.
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