Trump intensifica "campanha" para conquistar o Nobel da Paz
- Prof. Ms. Josiel Medeiros

- 20 de fev. de 2025
- 3 min de leitura
Desde seu primeiro mandato (2017-2021), Donald Trump nunca escondeu o desejo de conquistar o Prêmio Nobel da Paz, chegando a reclamar publicamente que “merecia” a honraria, mas não acreditava que o Comitê Nobel norueguês fosse concedê-la a ele. Agora, de volta à Casa Branca em seu segundo mandato, o presidente americano exibe ainda mais claramente esse objetivo, apresentando iniciativas diplomáticas em conflitos de grande repercussão mundial — notadamente a guerra da Rússia na Ucrânia e o conflito Israel-Palestina em Gaza.

Nas últimas semanas, Trump tentou se posicionar como mediador capaz de encerrar a guerra na Ucrânia. Durante a campanha eleitoral, ele chegou a afirmar que conseguiria pôr fim ao conflito “em 24 horas” caso fosse reeleito. Após assumir a presidência, adotou um prazo mais realista de ao menos seis meses. Mesmo assim, as tentativas de interlocução com Moscou e Kiev despertaram críticas, sobretudo entre aliados europeus, preocupados com a possibilidade de que interesses ucranianos sejam postos de lado em negociações conduzidas a portas fechadas.

De maneira paralela, no caso da região de Gaza, Trump propôs a transferência em massa de palestinos e a tomada de controle territorial. A ideia repercutiu de forma negativa na comunidade internacional, pois o deslocamento forçado de populações é proibido pelo direito internacional. Especialistas em resolução de conflitos também reforçam que iniciativas desse tipo raramente resultam em paz duradoura.

Esse contraste entre, de um lado, o discurso de “pacificador” e, de outro, ações e declarações percebidas como agressivas ou mesmo imperialistas, é um dos fatores que podem comprometer as chances de Trump ser laureado com o Nobel. Ele já expressou repetidamente interesse em adquirir territórios como a Groenlândia (da Dinamarca) e o Canal do Panamá, sem descartar, em suas palavras, “qualquer método”, o que poderia incluir pressão militar ou econômica. Observadores apontam que tais declarações minam os esforços de se mostrar um “construtor de pontes”.
Há relatos de que o Nobel da Paz se tornou uma verdadeira obsessão para Trump. Ele menciona com frequência o fato de que seu antecessor, Barack Obama, recebeu a honraria em 2009, no início do primeiro mandato na Casa Branca. Trump argumenta que fez mais para promover a estabilidade internacional do que Obama jamais fez, mas o Comitê Nobel não compartilha dessa avaliação — ao menos até agora.
Em comícios e entrevistas, o presidente costuma comparar o tamanho de suas vitórias eleitorais com as de Obama e critica a decisão de conceder o Nobel a alguém que, segundo ele, “nada havia feito até então”. Já no discurso de posse de seu segundo mandato, Trump chegou a prometer que seu maior legado seria o de “pacificador e unificador”, mencionando que as conquistas de seu governo serão medidas não só “pelas batalhas que vencermos, mas também pelas guerras que terminarmos”.
Há, por outro lado, analistas e políticos que enxergam nessa vaidade de Trump uma possibilidade de avanço em busca da paz em algumas regiões em conflito. Nomes como o democrata Rahm Emanuel, ex-chefe de gabinete de Obama, sugerem que, se as motivações pessoais do presidente para buscar o Nobel da Paz resultarem em negociações que beneficiem o mundo, todos sairiam ganhando. Ainda assim, prevalece a dúvida sobre se o ímpeto de Trump para chegar a acordos duradouros é suficiente para convencê-lo a renunciar a estratégias mais agressivas que, em última análise, possam contrariar os princípios defendidos pelo Comitê Nobel.
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